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Notas do Autor

O breve mito da Caixa de Pandora tem a sua importância e influência no legado da literatura humana por ser uma narrativa que em poucas palavras, sintetiza de maneira simples e efêmera aquilo que todas as principais Religiões, orientais e ocidentais, buscam ensinar.

É uma história que nasceu no inconsciente coletivo da Grécia Antiga, uma civilização que transbordava conhecimento e ideias que ensinaram à todos os outros povos e etnias do mundo a excelência e importância da Democracia, Justiça, Filosofia, Arte e Esportes.

A natureza mitológica da narrativa apresenta ao leitor Deuses, Elementos, Gigantes e Lugares Perfeitos que se relacionam diretamente com a psique humana e conversam com o gigantesco leque de arquétipos que vivem na mente de todo e cada leitor.

Minha versão, inspirada na coletânea mitológica de Thomas Bulfinch busca filtrar o mais essencial da inspiradora lição que junto à todos os segredos do universo, habita no misterioso fundo da Caixa de Pandora. Cabe agora ao querido leitor, cultivar a curiosidade de abrir sua própria caixa e aprender o que lhe espera.

A Caixa de Pandora

Antes de tudo existir, todas as coisas habitavam um mesmo lugar e tinham o mesmo aspecto, uma substância de forma líquida e instável chamada Caos que guardava dentro de si as sementes de tudo aquilo que era necessário para criar a vida.

Em colaboração com alguns Deuses do Olimpo, Zeus decidiu um dia libertar Caos, extraindo do seu interior todos os ingredientes que foram necessários para criar Gaia, a mãe natureza. Com um esforço divino, se separou o ar da água, a terra do vento e o bem do mal. Libertando assim os elementos que viriam dar a forma ao planeta como o conhecemos hoje. Surgiram as planícies, cânions, montanhas, geleiras, cordilheiras, cachoeiras, ilhas, rios, vulcões e o oceano que prontamente, foram habitados pela vida vegetal, os sólos férteis, as árvores, as florestas, as flores, as frutas e as plantas.

Em seguida, a mando de Zeus, Prometeu e seu irmão Epimeteu, titãs que habitaram a terra antes da criação do homem desceram à Terra e foram designados a terminar a missão de criar o mais perfeito dos lugares. Logo o Sol e a Lua surgiram, o ar clareou, as frutas maturaram e as estrelas começaram a aparecer. Prometeu, com sua caixa de ferramentas iniciou a criação dos animais dando a eles os atributos necessários para sobreviver, como as garras, as guelras, os pelos e as presas.

Os peixes se apossaram do mar, os pássaros tomaram o ar e as bestas de quatro patas dominaram a terra, porém um animal mais nobre ainda era desejado, então usando o barro e moldando ele com a água, Prometeu fez o homem à imagem dos Deuses, deu a ele uma postura ereta, de tal modo que enquanto os outros animais voltavam suas faces para baixo olhando para a terra, o homem pudesse erguer o rosto para o céu e divisar as estrelas.

Nesse momento, percebeu-se que nenhum atributo restava na caixa de ferramentas pois todos haviam sido usados nos outros animais. Do seu bolso, Epimeteu tirou uma sacola que guardava as virtudes, começando assim à distribuir ao homem dons como o amor, a honra, fé, bravura, força, sabedoria, conhecimento, linguagem e lealdade. Prometeu, determinado à terminar aquela missão, decidiu subir ao Olimpo e com a ajuda de Minerva, Deusa das Artes e Sabedoria e sem a permissão dos outros Deuses, acendeu sua tocha na carruagem do sol, levando para o homem o presente do Fogo. Dando a ele a possibilidade de criar armas para se proteger contra as feras, as ferramentas para se cultivar a terra e os pincéis para criar a arte, cunhando as moedas e o comércio.

Zeus, furioso com Prometeu por ele ter roubado o fogo do céu, decidiu chamar os Deuses novamente para criar a Mulher com o objetivo de punir os irmãos titãs pela presunção de roubar o fogo do céu; e ao homem por ter aceitado o presente. A primeira mulher chamava-se Pandora. Ela foi feita no céu, e cada deus contribuiu com algo para aperfeiçoá-la. Afrodite deu-lhe a fertilidade, Vênus a beleza, Artemis a intuição, Apolo a música, Gaia a maternidade e Atena a inteligência. Assim equipada foi conduzida á terra onde conheceu Epimeteu, que alegremente a encontrou.

Após conhecer Pandora, Epimeteu recebeu ela dentro de sua casa e começou a se familiarizar com sua presença, sendo a primeira mulher a habitar a terra, Pandora era diferente de tudo que ele tinha visto, o que mais lhe chamava atenção era a sua delicadeza, os cuidados que ela tinha com as coisas e com si mesma, a sua dedicação em estar sempre bela, cheirando a fragrâncias florais e tendo em sua pele a maciez da uma pétala de rosa. O tempo passava e quando Epimeteu estava ausente, terminando a criação, Pandora apreciava a natureza, pintava, esculpia e cuidava dos animais e das plantas, nutrindo-lhes e dando afeto.

Epimeteu tinha em sua casa uma caixa na qual guardava certos artigos poderosos, coisas que ele ainda não tinha utilizado no processo de preparar o homem para a sua nova morada. Epimeteu sempre deixou claro para Pandora que aquela caixa continha coisas muito importantes para a criação do universo e que ela não poderia abri-la em hipótese alguma sem a presença dele, porém em um certo dia, Pandora foi tomada por uma impaciente curiosidade de descobrir qual era afinal, o conteúdo daquela caixa.

Epimeteu estava longe e Pandora já havia feito suas atividades do dia, tomada pelo tédio concluiu que uma rápida espiada não faria mal a ninguém. Abriu a tampa para ver o que lá havia mas foi imediatamente jogada para trás enquanto escapava da caixa miríades de pragas sobre os homens, tais como a ansiedade, febre, o reumatismo, a varíola e a cólica para as mulheres, outras coisas também escaparam em um piscar de olhos, como a guerra, a mentira, a violência, a inveja, o adultério, a vingança, a miséria, o mal, a raiva, a doença, a fome, a pobreza e a morte. Tudo que podia haver de pior na terra encontrou naquele momento o caminho para a liberdade e se espalhou para longe e por toda parte.

Pandora, muito preocupada, apressou-se em se levantar e colocar a tampa de volta sobre a caixa, mas infelizmente, o conteúdo inteiro já havia escapado e a caixa parecia vazia, porém, se aproximando para fechar, percebeu que algo se manteve ali dentro, brilhando como a luz do Sol bem no fundo da caixa. Imediatamente Pandora foi tomada pelo sentimento da mais pura alegria e conforto enquanto uma lágrima escorria pelo seu rosto, pois percebeu que o que havia permanecido era a única coisa necessária para um futuro incerto e assustador.

A Esperança.

Conto

O Monte Adamantino

Thiago PatriotaThiago Patriotamaio 1, 2024

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